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Algorab, a Estrela-Arauto, o bico de Nêmesis

By | 2018-03-24T10:38:42+00:00 terça-feira, 20 fev 2018|Estrelas Fixas, Eventos|1 Comentário

 

augúrio

 profecia feita pelos áugures, sacerdotes romanos, a partir do canto e voo das aves.

– aquilo que é pressagiado; agouro, profecia, vaticínio.

Algorab, O Corvo, a delta da constelação do Corvus, alinhada hoje a 13 graus e 40 minutos de Libra, é uma estrela-arauto: traz no bico o anúncio do tempo que avista.

Algorab é associada a notícias sombrias ou, simplesmente, àquele que traz a nova (mesmo que a nova seja velha).

Curiosamente, o Corvo, assim como o papagaio, imita a voz humana. Algorab, a estrela-arauto.

Hoje se sabe que os corvos possuem uma comunicação extremamente apurada. A partir do estudo do comportamento do bando, é possível dizer se vai chover ou se uma carruagem se aproxima ao observar o comportamento dos pássaros.

Para os mais místicos, se a morte irá visitar a sua cidade ou a casa do vizinho. Esta mística de mau agouro, o que anuncia términos na vida, também o gato, principalmente o gato preto, também a tem.

No imaginário do mundo, o gato preto e corvo pertencem à mesma família.

Algorab, ou O Corvo, é uma estrela de Marte e Saturno, segundo Ptolomeu.

Algorab é ave negra que sobrevoa carniça, ou os espólios, como lembra Manílio.

Há um ditado popular que diz que um corvo não bica o olho de outro corvo. Mas bica os olhos dos mortos como ninguém.

O corvo segue os lobos que estraçalham as presas. Alimentam-se de carniça. Mas um motivo para Ptolomeu associá-la a Marte.

Embora possa se afirmar que Algorab é de Saturno e Marte, diria que o Corvo é estrela-pássaro que exerce função mercurial, isto é, a do arauto. É o que anuncia o futuro, seja o que for que se anuncia no horizonte.

Saturno ou Cronos preside a lei do tempo, o inexorável fim, representado por sua foice. No ombro de Cronos, há um corvo. O Corvo é Saturno em forma de pássaro.

Cronos é semelhante a Átropos, a Moira que empunhando uma tesoura, corta o fio da vida. O Corvo é o pássaro de Saturno e Átropos (que os romanos chamavam de A Morta).

Quando falamos de Saturno, sempre falamos da justiça de Nêmesis – a deusa grega que distribui a sorte como convém e pune a desmesura. (Inclusive há uma Parte de Saturno chamada Parte da Nêmesis (Asc + PF – Saturno, fórmula diurma; Asc + Saturno – PF, fórmula notuna). )

O Corvo, por seu bico recurvo e cor negra, é associado ao sombrio Saturno e sua foice. No entanto, há um mito que diz que o corvo é uma ave de Apolo, o deus Sol, o qual, por sua vez, preside a profecia e a adivinhação.

O Sol, o que tudo vê.

Saturno é Sol, o Sol é Saturno.

O mito conta que numa ocasião, Apolo para fugir da serpente Tífon, transforma-se num Corvo. Corvo é Apolo, Apolo é o Corvo.

O Corvo que tudo vê.

Outro mito, sob o signo da rapinagem, conta que Apolo solicita ao Corvo, que era todo branco, que vigie Corônis. Apolo desconfiava que Corônis, o seu amor, o estava traindo. E assim o Corvo fez: vigiou. Ao testemunhar a traição, corre para contar a Apolo. O deus Sol, ultrajado, o fulmina tornando-o da cor do carvão. Há quem diga que o fulmina não por ter falado o que viu, mas por este não ter aproveitado e bicado os olhos do seu traidor.

Desde então o Corvo, agora todo preto, é visto como um arauto que gralha notícias indesejadas.

Corônis, mais tarde, é flechada por Ártemis, a deusa Lua. Corônis estava grávida de Apolo. O filho resgatado é Asclépio, o médico.

Outras versões associam o Corvo à própria Corônis e o culto à Deusa Lua. O Corvo seria o animal-totem da cultura à Lua, pré-helênica. O seu enigmático grasnar é tido como a voz da deusa tríplice, a que anuncia os inevitáveis ciclos da natureza. O Corvo, assim sendo, está associado aos cultos femininos pré-helênicos e os seus ciclos da natureza de vida e morte.

Na cultura Yorubá, o pássaro preto, assim como o gato, é a personificação das Yamis, as senhoras mães do mundo, a única força capaz de alterar um fatal destino. Ou de assombrá-lo.

Atena era tida ser uma Corônis e, por extensão, uma deusa-corvo. E como Atena está ligada a Nêmesis, a força grega da justiça, a que pune a desmesura, e que distribui a sorte como a convém, Algorab é Atena Lua tríplice na forma de pássaro-mensageiro que anuncia inevitáveis destinos aos governos, aos locais e às criaturas.

É o que aconteceu, por exemplo, quanto do Atentado ao WTC.

Algorab, o Corvo, é a estrela que ascende no horizonte leste quando do Atentado ao World Trade Center.

Os USA tem Saturno a 14 graus de Libra. Quando da sua independência, Algorab se alinhava a 10 de Libra. Quando do Atentado ao Word Trade Center, O Corvo estava pousado aos exatos 14 graus de Libra, ascendendo no horizonte do mapa do Atentado.

O Corvo pousou nos USA, mais especificamente sobre o Saturno/Torre do World Trade Center, anunciando um novo tempo ao mundo.

Algorab, o bico da Nemêsis.

Outro país que tem Algorab é o Reino Unido. Reino Unido tem Algorab ascendendo no mapa raiz. Tome a data de 01 de janeiro de 1801, 00h01, London.

Uma antiga lenda dizia: “Se os corvos deixarem a Torre de Londres, o Reino ruirá”. Isso porque se o arauto parte para outro lugar, é porque parte para anunciar outra nova já que teria já dado o seu recado.

Diz a lenda que Rei Arthur se transformou num corvo. Preocupado com a coroa, Charles II, filho do decapitado Charles I e primeiro rei desde o período de exceção, decretou que os seis corvos da Torre de Londres teriam proteção e cuidados permanentes. E assim, os corvos na Torre de Londres que são tratados como reis, afastam o mau agouro e a monarquia é preservada.

O londrino John Lennon, o beatle que anunciou realmente uma revolução cultural no mundo, tem o Sol conjunto a Algorab. Aliás, próximo a Marte e Caput Draconis.

Sabe-se também que o Corvo tem o seu próprio funeral. Assim como os elefantes, os humanos, os corvos tratam de realizar uma espécie de funeral aos seus. Estudos dizem que o funeral é o momento que o bando repensa a segurança do grupo, o que fez um dos seus vulneráveis à morte. Também se constatou que o corvo tem um temperamento profundamente desconfiado. Basta a traição de um do grupo – por exemplo, um comer mais e não dividir o alimento com os demais – que este é excluído do convívio com os demais.

Algorab é muito comum em mapas de artistas com estética sombria. O dramaturgo Antonin Artaud é um exemplo disso, tem Algorab conjunto ao seu Ascendente. Artaud, além de anunciar ao mundo o Teatro da Crueldade, mudando a história da dramaturgia, tem semblante de ave de rapina.

Quando no Ascendente, Algorab pode tomar o corpo do nativo para sempre. Com o Corvo no Ascendente, o nativo veste a persona do pássaro agourento. Assim como Cronos que tinha em seu ombro um Corvo. O corvo é um pássaro oracular que se aloja na alma de um rei após seu sacrifício.

Machado de Assis, o bruxo do Cosme Velho, tem Júpiter conjunto a Algorab.

Gilberto Gil, arauto do tropicalismo, tem Algorab no Ascendente.

E todo bruxo que se preze tem um corvo em seu ombro esquerdo.

Edgar Allan Poe, o autor do poema The Raven, tem Júpiter em Peixes – o Almutem da carta – na antíscia (por signo) do Corvo. E também o Corvo faz sextil exato ao Meio Céu na sua carta.
Quando Poe lança o poema que o consagra, Mercúrio, por progressão secundária, estava no exato ponto da antíscia com o Corvo, Mercúrio 19 e 55 de Peixes, o Corvo a 10 e 47 de Libra. Poe também tem Mercúrio-Sol (cazimi), conjunto a outra estrela-pássaro, a Altair, a Águia. O próprio Júpiter tem a Águia como seu animal-totem.

Aliás, não creio que é necessário o grau exato da estrela para apontar o destino do Corvo ao nativo. O que é preciso é que a ave profética esteja na narrativa do nativo. Freud, Fernando Pessoa, Poe, todos estes, possuem Marte próximos a Algorab.

Freud, diz a lenda, teria dito, quando de sua viagem aos USA para apresentar à psicanálise, “trouxe a peste ao mundo”. (Roudinesco descontruiu a lenda que Lacan espalhou pelo mundo.)

Pessoa, através da sua poesia, profetiza o império de Portugal que ainda virá renascer (Lisboa enamora-se o Corvo como animal-símbolo).

E Edgar Allan Poe, o pai do poema The Raven, dispensa comentários.

O que importa é que o pássaro negro sobrevoa a vida do nativo.

Outro mito conta que o Corvo é rei da procrastinação.

Certa vez Apolo destina o Corvo levar uma taça cheia de água a um determinado destino. No entanto, o Corvo pousa numa árvore para ver figos amadurecerem. Ao perceber o seu atraso, enrola-se numa serpente e a culpa pelo desvio na rota. Apolo o pune, por mentir e por não ter cumprido a missão destinada, colocando-o no céu ao lado da Taça e da Serpente. Ele, o Corvo, como castigo, é tomado por uma sede insaciável. Esta história o faz ter fama de ser o rei da procrastinação e também de ser um ser eternamente insatisfeito. Há quem diga que no craquejar do Corvo é possível ouvir nos seus meandros a seguinte palavra: “Amanhã, amanhã, amanhã”.

A procrastinação existe porque trata de uma forma de procrastinar a morte. Procrastina-se porque se tem angústia da morte, em outras palavras. Mas quanto mais se deixa para amanhã, mas anseio da morte se tem.

Há quem diga que a procrastinação acontece porque o amanhã não chega nunca.

Uma alma sedenta é sedenta de algo que nunca chega.

O Corvo habita o amanhã.

A única procrastinação legítima é o da morte precoce.

Quando significante do temperamento do nativo, o Corvo produz uma alma sedenta, desconfiada, pessimista, porque de Saturno – alguém precisa fazer o papel de nos lembrar das sombras da alma do mundo.

De caráter melancólico, é aquele que está sempre a grasnar a verdade, ou como diria Nelson Rodrigues, o óbvio. “Só os profetas enxergam o óbvio.” É também alguém destinado a propor novos tempos onde quer que seja sua área de atuação e, por isso, sempre incomodará quem se alimenta dos status qüo.

A sombra da morte pode o acompanhar.

Quanto ao corpo, podemos pensar nos rins, lugar da fonte da água, como ponto sensível aos que tem, em suas natividades, o Corvo como determinante.

Joaquim Barbosa, ex-ministro do STF, o relator do processo criminal conhecido pelo nome de Mensalão, tem o Sol conjunto a Algorab. Barbosa, inclusive, ao se apoiar na cadeira do tribunal, com seus óculos redondos, e sua toga tradicionalmente negra, é a imagem perfeita do Corvo empoleirado no STF, para o azar dos réus. Curiosamente, Joaquim Barbosa, o que tem Sol conjunto a Algorab, foi o primeiro presidente do STF a não concluir o seu mandato. Alegando motivos de saúde, renunciou ao cargo.

Se com Júpiter, anuncia boas novas. Se com Saturno ou Marte, a peste – assim como se diz que Freud teria dito da psicanálise quando este o levou aos USA. Se com o Sol, a própria luz negra e profética. Se com a Lua, os sonhos e a imaginação noturna. Se com a Vênus, uma estética dark, um erotismo negro. Se com Mercúrio, a própria voz dos novos tempos.

Algorab, o pássaro negro que hoje está a 13 de Libra, destina a função do arauto às cidades, aos governos e aos nativos que o servem. Sob o signo de Saturno, Nêmesis, Apolo e Corônis, revela uma estética sombria, uma temperamento insaciável, um gosto por aquilo que é rejeitado pelo status quo e/ou até mesmo, um apreço pela astúcia, rapinagem, e negra ousadia, já que precisa lutar por comida e por respeito.

Lutar por comida e por respeito.

Por comida e por respeito.

Sobre o Autor:

João, 45, estuda Astrologia desde 1992. Criador do site Saturnália - Astrologia & Cidade, agora também Escola de Astrologia. Propõe uma astrologia enraizada nos fenômenos culturais e uma releitura crítica da astrologia antiga. Dedica-se preferencialmente à prática da Astrologia das Natividades. Nestes 26 anos, desenvolve o que chama de Dramaturgia Celeste, astrologia como linguagem, o céu como narrativa.

Um Comentário

  1. Nathalia 30/03/2018 em 14:33 - Responder

    “para ver figos amadurecerem” kkk
    Incrível demais o texto todo! Obrigada!!

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