Cinema-Céu #6 – Bacurau

Cinema-Céu #6 – Bacurau

By | 2020-06-26T22:47:12-03:00 segunda-feira, 09 set 2019|Cinema Céu, Outras Saturnálias|0 Comentários
Olás, boa tarde! Como já sabemos, hoje é segunda-feira, e toda segunda temos, aqui na Saturnália, o Cinema-Céu. Uma sessão de filme por semana.

Seguindo as tendências das redes, vocês também vão ouvir a palavra de Bacurau por aqui. Assisti recentemente e não me contive em buscar como o céu estava no dia da estreia mundial, no Festival de Cannes.

Um aviso: o texto contém spoilers (estraga-prazeres) a partir do quarto parágrafo após este. Cuidado.

Um outro recado: neste texto, utilizarei, além dos planetas, signos, casas e estrelas fixas, as “Partes Arábicas” ou “Lotes Árabes”, que são pontos calculados no mapa que determinam análises complementares àquelas vindas dos planetas.

Mapa de estreia do filme:15/05/2019, às 22hs, em Cannes/França.


A sessão de gala aconteceu no dia 15/05/2019 às 22hs, com Sagitário ascendendo. Júpiter está lá, e rege o Ascendente. Lembrando: o Ascendente e seus regentes são o protagonista. Neste filme, os protagonistas são grandes, benéficos e justos. Possuem a bravura do cavalo sagitariano, a alegria jupiterial. Se unem, festejam, lamentam. Alguns personagens possuem maior evidência, mas os protagonistas são a população de Bacurau, cidade a oeste de Pernambuco, em um futuro próximo. Sendo uma cidade fictícia, esta cidade literalmente nasce com este filme.

O Lote do Espírito (sim, existe um lote assim em todo mapa) está em Peixes, na casa 4 – a casa da história, do passado e da terra. O espírito do filme, o que o move é a ligação que a população de Bacurau tem com suas origens, com aquelas terras, com seus antepassados e com as suas tradições. A cidade é muito pequena, mas faz questão de ter um museu histórico, repleto de móveis antigos, armas e notícias de jornais.

Após a morte de uma senhora muito querida na cidade, alguns eventos estranhos acontecem: a cidade é tirada do mapa, surgem alguns assassinatos. a Lua traz o andamento dos acontecimentos, por ela ser o planeta mais rápido. Ela está no alto do filme, entrando na Via Combusta. Pensemos na Via Combusta como fogo mesmo. O filme caminha para acontecimentos perigosos e riscos àquelas pessoas.

E quem são os autores destes crimes? Olhemos para a casa 7 e seus regentes, os antagonistas. Lá está Gêmeos, signo múltiplo. Dentro desta casa está Marte, aquele que porta armas, regente da casa 5, dos prazeres: os antagonistas estão para rolê, amam armas e querem diversão. Estão literalmente em um jogo marcial cruel, onde quem matar mais pessoas ganha. Lá também está o Lote de Nêmesis, e me parece óbvio o ponto de desmesura do mapa estar justamente nas mãos dos antagonistas. Desmesura na violência.

Gêmeos odeia Júpiter. Para Sagitário, Marte tanto-faz-tanto-fez. Os antagonistas vêem os protagonistas de cima para baixo, um “povo inferior”, não há compaixão nem empatia.

O regente destes jogadores é Mercúrio, em Touro. Não vê os protagonistas. Eles não começam no confronto direto. Mas Mercúrio está nos termos de Júpiter-Bacurau. Não confrontam mas estão lá, na mira.

A Lua, que podemos atribuí-la a Pacote, sentindo o cheiro da treta que está porvir, buscará ajuda externa para proteger Bacurau. No caminho da Lua, ela fará aspecto com Júpiter e Saturno ao mesmo tempo. Ou seja, ela levará as luzes de Júpiter-Bacurau para Saturno-Lunga. Saturno regente da casa 2, dos aliados. Em momentos pré-guerra, busquemos sempre àquele que estará na nossa casa 2, pois provavelmente precisaremos dele.

E é neste contato que a Lua vê a Parte da Fortuna do mapa (ela aspecta os três ao mesmo tempo, veja bem). A Parte da Fortuna é o “plot-twist”, algo que acontece para mudar o curso da narrativa para levá-la ao seu clímax e seu final. Os anúncios do que acontecerá com a cidade chegam a Lunga através da morte de dois homens, e chegam com a sua entrada (e a de seus parceiros) em Bacurau.

A Parte da Fortuna está na casa 8, casa mal-iluminada de sangue. Os planos para resistência são elaborados após os antagonistas cortarem a energia da cidade, deixando-a em total escuridão. Assim, um plano é estabelecido para receber estas más-visitas na cidade.

Logo em seguida, a Lua caminha para sua queda, em Escorpião, ainda na Via Combusta, e vê a Vênus, regente da casa do clímax (a casa 10). Estamos chegando ao combate final.

Então temos o seguinte cenário em construção: Júpiter dignificado, sob aliança de Saturno dignificado, lutando contra Marte peregrino, poderoso, mas prestes a entrar em sua queda. Chega a ser brega, nem precisa de filme para saber quem ganhará.

Bacurau tem um povo forte e resistente. Há muita valentia e bravura. Existe um lote da Coragem (um ponto que fala de coragem mesmo), e este está a 29º de Escorpião neste mapa. Oposto à Alcyone, estrela que derrama lágrimas pelo luto. Ao estarem diante dos assassinatos, as lágrimas da população se tornam armas. A cena onde a dona Domingas recebe o líder dos antagonistas, na entrada da cidade, com um banquete, e o enfrenta sem atacá-lo, é esta Alcyone usando do luto a força.

O filme chega à sua casa 4, o seu final. O Fundo do Céu, em Áries, é regido por Marte (domicílio) e Sol (exaltação). O Sol está em Touro, a quase 25º – conjunto à estrela fixa Algol, a das decapitações. Dizem que o inventor da guilhotina tinha esse Sol conjunto a Algol. E o que os cidadãos de Bacurau fazem? Decapitam todos (exceto o líder) e expõem suas cabeças em frente à igreja da cidade. Um final digno de Algol.

Para os céus, o que valem são as narrativas. Aprendemos a ler histórias a partir de personagens e símbolos. Assim como os roteiros. Como eles serão transpostos na tela (sob um olhar experimental, ou clássico, ou documental, observador ou de olhar violento, cabe à própria equipe, da mesma forma que, como estes símbolos aparecerão na Terra, cabe ao próprio contexto.

Bacurau é um filme forte e necessário. E assustador. Um filme de Lua-Algorab, que vê o que está previsto para os próximos anos. Espero que tenham gostado dessa sessão do Cinema-Céu. Meu nome é Analu Bambirra, estudante de Astrologia na Saturnália, e nos vemos na semana que vem!

PS: exalto, aqui, este cartaz maravilhoso (o da foto), feito pela incrível Clara Moreira!

Sobre o Autor:

Analu Bambirra, 25, nasceu em Belo Horizonte (MG). Graduada em Cinema e Audiovisual (Una). É estudante de Astrologia desde 2018 (Saturnália). Produtora de curtas e longas-metragens desde 2014. Escreve em sua página Corona Astrologia (@coronaastrologia) sobre Astrologia e Cinema. Colabora com a coluna "Cinema-Céu" na página da Saturnália. Vive em sua cidade natal.

Deixar Um Comentário

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.