Cinema-Céu #9 – Temporada

Cinema-Céu #9 – Temporada

By | 2020-06-26T22:35:47-03:00 segunda-feira, 30 set 2019|Cinema Céu, Outras Saturnálias|0 Comentários
Chegamos hoje neste Cinema-Céu com uma sessão de um filme muito importante para o cinema brasileiro. Na sessão de hoje, assistiremos a Temporada, dirigido por André Novais Oliveira. Nele, acompanhamos a vida de Juliana, uma mulher de Itaúna, região metropolitana de Belo Horizonte, que se muda para a capital mineira para começar um trabalho novo com o combate a endemias. O filme, que mostra este percurso de Juliana desde a mudança, os problemas no casamento, a relação com a família, até a sua aproximação com seus amigos e sua nova fase de vida, é retratado de forma singela e afetuosa, nos fazendo querer acompanhar por horas aquela história.

Hoje, observaremos o mapa da estreia do filme:

Mapa da estreia do filme: dia 05/08/2018, às 11h15, em Locarno/Suíça.


Para vermos Juliana no mapa, precisamos olhar para o Ascendente e seus regentes. Para um filme de tantos afetos, o filme não poderia não ter nascido junto da Libra. Signo de Vênus e Saturno, os afetos trazidos, construídos e levados pelo Tempo. Um filme sobre inícios e fins de relações. O Ascendente tem um pé (os termos) em Mercúrio, que está na casa dos amigos e destes bons espíritos que caminham conosco em nossos altos e baixos.

Juliana é a Vênus do mapa, nos graus finais de Virgem. A passagem da Vênus, de Virgem para Libra, é um ganho de forças. Logo, temos uma mulher em busca de sua dignidade. Juliana começa o filme desconfortável em sua pele, reservada, tentando processar sozinha todos estes acontecimentos em sua vida.

A Vênus também conta esta história a partir da casa do cotidiano. Não esperaremos um filme de ação, ou um filme de suspense (como o da semana passada). As relações virginianas, como a Virgem gosta, serão observadas no espectro micro, admirando seus detalhes mínimos, os bons-dias, o cafézinho que a Dona Zezé serve, a cerveja na praça no fim do experiente.

O trabalho que Juliana consegue é no combate a endemias. Se olharmos para a casa do trabalho rotineiro (a casa 6), ela estará disposta por Júpiter, este em Escorpião, aquele que tem o dom de desintoxicar. Tem uma cena em que a ensinam, inclusive, a como pegar um escorpião sem que ele a ataque.

Juliana também é Saturno, no qual a Libra exalta. Juliana está com sua cabeça focada na casa 4: a casa da casa, a casa dos terrenos, e a casa dos fins. Ela busca se adaptar àquela nova casa, àquela nova cidade, além de processar os resquícios de seu casamento. Saturno rege a casa 5 e rege Marte, onde ali está. Por ser um planeta tão seco em um signo bem seco tomando conta do planeta dos acidentes (Marte) na casa dos filhos, não é de espantar que o problema que ela tem carregado naquele relacionamento é o peso da perda de um bebê após um acidente de carro. Saturno seca o que tiver de secar, corta o que tiver de cortar, e tuas limitações são duras e severas. “Algumas coisas tem que podar”, ela diz.

Ao longo da jornada de Juliana, caminhando da Virgem para a Libra, ela precisará encarar os entraves da sua vida: o próprio Saturno, dos fins, e os cortes de Marte. É quando ela absorve a lição saturnina de que o passado é passado, e agora é ela por ela mesma, que o filme muda de direção e parte para seu desfecho.

O filme segue essa analogia saturnina da responsabilidade pelo teu próprio caminho a partir do domínio do volante de um carro. Para olharmos estas mudanças de direção do filme, olhamos para a Fortuna, e esta está em Câncer conjunta à estrela fixa Canopus. A estrela mais brilhante do navio Argo (a grande embarcação), situada nos seus remos. Esta estrela recebe este nome em homenagem ao navegador de mesmo nome, que velejava em nome do rei de Esparta. Esta estrela, então, traz histórias de pilotos, marinheiros, àqueles que estão liderando um percurso por algum meio de transporte. E Juliana, literalmente, toma a forma de Canopus, quando, na cena final, dirige o carro enquanto seus amigos o empurram.

“Temporada” está disponível na Netflix. Sugiro que façam essa sessão em casa e acompanhem este grande filme. Meu nome é Analu Bambirra, e nos vemos semana que vem com mais um Cinema-Céu!

Sobre o Autor:

Analu Bambirra, 25, nasceu em Belo Horizonte (MG). Graduada em Cinema e Audiovisual (Una). É estudante de Astrologia desde 2018 (Saturnália). Produtora de curtas e longas-metragens desde 2014. Escreve em sua página Corona Astrologia (@coronaastrologia) sobre Astrologia e Cinema. Colabora com a coluna "Cinema-Céu" na página da Saturnália. Vive em sua cidade natal.

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