Mercúrio em Cancer

Mercúrio em Cancer

By | 2019-01-04T12:19:24-03:00 quarta-feira, 26 mar 2008|Planetas, Teoria|2 Comentários
(imagem do post: Mariana Campos)

Mercúrio em Câncer é o Deus da comunicação mergulhado num signo de Água (Caranguejo, Escorpião, Peixes).

Câncer é água nascente, olho d´água. Quando vira mágoa, água abortada.

Mercúrio em Câncer fala como se a memória por sua boca de alembrasse. Palavra de historiador, palavra de contador de história. Palavra alquímica, água-palavra que dá de beber à lembrança.

Mercúrio-Caranguejo pinça a lira da palavra e provoca diferentes estados dramáticos – tem este dom. Mercúrio em Câncer é fala dramática, faz a alma ir de um ponto a outro, do outro a um, como a água que sai da pedra e se torna rio sempre a lembrar que água é raiz e raiz é água. Palavra germinal.

Palavra que anda de lado: metáfora. Palavra que dá o tapa e esconde a mão. A fala nas entrelinhas. Ou a literatura do memorialista.

Mercúrio em Câncer é língua do povo, aquele modo sábio do povo de falar do mundo e de criá-lo, re-criá-lo, niná-lo. Mercúrio em Câncer dá passagem à voz e ao modo de falar que o enraíza em algum lugar: o sotaque. E o lugar é o imaginário. Leite quente da dor nos dentes da frente da gente. (O sotaque nos liga aos que já foram). O sotaque inventa um modo de falar e perpetua o lugar.

Mercúrio em Câncer também é escritor de diário. Fala dramática, da mãe-mártir-usurpada, palavra germinal. Palavra de fada. Palavra encharcada de dores de parto. Palavra-crocodilesca, contadora de causos. A seguir, com a palavra Mercúrio em Câncer de João Guimarães Rosa:

“Quando escrevo, repito o que já vivi antes. E para estas duas vidas, um léxico só não é suficiente. Em outras palavras, gostaria de ser um crocodilo vivendo no rio São Francisco. Gostaria de ser um crocodilo porque amo os grandes rios, pois são profundos como a alma de um homem. Na superfície são muito vivazes e claros, mas nas profundezas são tranquilos e escuros como o sofrimento dos homens.”

Sobre o Autor:

João, 45, estuda Astrologia desde 1992. Criador do site Saturnália - Astrologia & Cidade, agora também Escola de Astrologia. Propõe uma astrologia enraizada nos fenômenos culturais e uma releitura crítica da astrologia antiga. Dedica-se preferencialmente à prática da Astrologia das Natividades. Nestes 26 anos, desenvolve o que chama de Dramaturgia Celeste, astrologia como linguagem, o céu como narrativa.

2 Comentários

  1. Teofilo Tostes 19/07/2018 em 18:05 - Responder

    Minhas deusas e deuses, que coisa mais linda isso!!! Não sei se ocupo esse lugar, mas certamente desejo ocupá-lo.. E muito! Talvez por essa razão, desejo que minhas palavras tenham esse lastro, essa poesia, essa memória. E, também talvez por isso, tenha me encontrado tanto e tão fortemente nessa descrição!

  2. Danielle Antônia Vidal 28/05/2019 em 18:14 - Responder

    sou água transbordante de emoções e quietude externa, porém por dentro um furacão.

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