Notas astrológicas sobre o signo de Áries

Notas astrológicas sobre o signo de Áries

By | 2018-03-25T09:28:02+00:00 domingo, 25 mar 2018|Signos, Teoria|1 Comentário

Essas notas foram escritas tendo em mente a tabela de dignidades e debilidades essenciais que os signos oferecem aos planetas. Os signos do zodíaco são codificações destes parâmetros.

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E, de repente, do nada, Áries dispara em direção a outro Áries. E bate cabeça. O ímpeto move o Carneiro como se fosse um raio.

A carne do carneiro alimenta, sua lã aquece. A lã mais superficial cresce no outono e cai na primavera, estação que Áries governa. Portanto, Áries alimenta, aquece, fornece a lã para enfrentar o inverno. E é assim o ritmo de sua prosperidade, constante e sazonal.

Áries perde a cabeça, quando tem uma cabeça para perder. Perde a cabeça para o calor. O calor faz com que se precipite e perca a cabeça. E aí vai parar no muro, no fundo da ribanceira.

Áries é regido por Marte, o que protege o crânio, a mente, a cumeeira do corpo. O Carneiro é motivado para ultrapassar os próprios limites.

O medo de Áries é o de ser derrotado. De cair, de tombar, de desaparecer sem deixar rastro. Morre de medo do declínio, do fim da vida, do fim da areia da ampulheta. Áries é início, o anti-fim. Não sabe perder, não sabe dar passagem, não sabe chegar em segundo lugar.

Áries é herói e ele faz questão que todos o vejam dessa maneira. Os demais que o contrariam são seus inimigos. Áries sempre guarda a esperança na sua cachola de que terá um novo início, um novo recomeço, um novo pódio com ou sem beijo de namorada. E quando este começo chega, não há quem segure a disparada do Carneiro. Ou a cusparada.

Basta estar vivo para correr perigo. Viver é risco e quem não arrisca não petisca. O lance é seguir o espírito. A vida não hesita. A vida é um sopro de hálito quente. Por isso é bom estar sempre pronto e atento para seguir a vida. A vida é quente, não morna ou insípida. A vida é vermelha e queima. A vida é um instante, há de se correr perigo para se sentir vivo. É preciso respirá-la. O resto do zodíaco torcerá o nariz para quem ousa a ousadia e a experimentar viver a vida em alta velocidade. “Azar deles”, pensa Áries. “Não sabe o que estão perdendo”, retruca mais uma vez o Carneiro. Basta correr perigo para estar vivo.

Áries oferece exaltação ao Sol. É em Áries que o Sol tem sua exaltação, embora o Sol arda mesmo para valer em Leão. Se o Sol se exalta em Áries, tem a sua queda em Libra. Áries tem Libra a sua frente e, por isso, sabe que a queda sempre é iminente. É como se o Sol fosse desaparecer a qualquer momento. Conviver com essa ideia é o que move o signo do Carneiro. Afinal, Áries não quer passar desapercebido pelo mundo. Por isso a vida precisa ser sorvida o quanto antes. E a vida significa correr riscos. Também é por isso que muitos arianos passam pela vida como um foguete.

A competição tem espírito ariano. Ou seria Áries que tem espírito competitivo? Tanto faz, pouca importa. O que se sabe é que Áries não tolera perder. E este estado permanente de competição estressa qualquer um e, geralmente, é o que leva à derrota.

Áries tem um lance com o Sol e com Júpiter. Com o Sol porque é em Áries que o Astro Rei se exalta. Com Júpiter por este pertencer à Triplicidade a que Áries pertence, a do Fogo. Mas isso é técnica. Miticamente falando, Áries é um justiceiro. No lugar do martelo da Justiça, os seus cornos e sua cabeça dura, quando não faz uso da espada de Marte para reparar alguma injustiça. É claro que quando chega a este nível, não há mais senso democrático e sim justiça pelas próprias mãos, pela própria consciência, o que faz Áries beirar a tirania. Mas ninguém ou nada deste mundo tirará da sua cabeça a necessidade de fazer justiça e, assim, bancar o destino de ser herói. Mesmo que a sua cabeça role, por consequência.

Áries é um signo surdo – escuta somente a si próprio. O seu umbigo é do tamanho do sol, assim como a sua paranóia. Pensando bem, a sua paranóia é maior que o sol.

Áries é o primeiro signo do Zodíaco. Quente e Seco, isto é, da Triplicidade do Fogo (Áries, Leão, Sagitário). Masculino. Signo Colérico da Estação Sanguínea. Análogo ao primeiro mês da primavera do hemisfério Norte, do ritmo Cardinal, portanto. E todo signo Cardinal (Áries, Câncer, Libra, Capricórnio) guarda em si o espírito de determinada estação. Carneiros de fogo direto do túmulo do inverno: primavera.

Áries tem Libra como signo oposto. O avesso do Carneiro é Virgem (antíscia/simpatia). A contraantíscia (antipatia) é o signo de Peixes.

Em Áries, Saturno amarga sua Queda e Vênus o seu Desterro, o Sol se exalta e Marte, o que afasta a covardia da mente, tem o seu domicílio diurno.

Áries, o signo, é fálico. De comportamento dócil até à fase de acasalamento, de repente, do nada, dispara, carneiro contra carneiro, cabeça contra cabeça, até que reste um, inteiro, de pé, com a cabeça. Nem todo Áries é forte e atlético, mas todo Carneiro é competitivo. A pulsão de ser o número 1 é indomável tal qual um raio.

Áries rege o crânio propriamente dito e o que vai dentro. A cumeeira. Assim como também as cicatrizes adquiridas. Principalmente as do rosto e as do topo do corpo.

Ao fazer da sua ideia um facão, abre picada, vai à frente, topa a vida. Não sabe aonde chegará, mas segue o ímpeto. Às vezes o leva à beira do precipício, em outras, a alcançar o sino da glória áurea.

Áries é animal selvagem, de porte médio, dono de crânio e chifres enormes, fortes, com os quais derruba muralhas e oponentes. Crânio também no sentido de gênio, portador de ideia atrevida, a cabeça do time. Os galos que nascem na cabeça são de inteira responsabilidade do dono da cabeça.

Áries crista de galo. Áries rinha de galo. Áries que anuncia a manhã antes do sol nascer.

Áries não é fogo de fogueira, estabilizado, fogo domado. O fogo de Áries é fogo nascente, vermelho, indomável. Este fogo primitivo que Áries representa, a faísca, é ao mesmo tempo criador e destruidor. Fogo tumultuado.

A velocidade é o principal atributo do Carneiro. Tão veloz quanto o ímpeto que o transpassa.

Portador de ideia selvagem, brilhante, petulante. Chispa direta do túmulo do inverno. Relâmpago rápido no gatilho. Agir é não pestanejar. Faísca, explosão: arranque. Quando viu, Áries partiu em disparada. A vida é um raio. Não! A vida é um Áries – a ignição do mundo e a primeira marcha.

Na roda do zodíaco, Áries é o ponto de chegada e de partida. Principalmente o de partida. O carro do Sol ao trazer a primavera, marca o grau zero da jornada pelos caminhos e descaminhos na estrada dos doze signos. “Se segura, peão!” – é o que diz Áries ao mundo. O heroísmo, a audácia e a velocidade são alguns dos seus atributos, reza a lenda. Carneiro da cabeça ígnea.

A primavera equilibra a luminosidade: tanto o dia quanto a noite tem a mesma duração. Áries traz a luz. Áries é a vitória do calor sobre o frio que aniquila. Antes que a vida brote, a semente hiberna e atravessa a solidão terrível do esquecimento. Ressurgir é uma vingança. A vida que vinga a vida. Surgimento espontâneo da vida: Áries.

O Carneiro traz a primavera. A primavera traz o Carneiro. Áries é análogo à primavera e vice-versa. Áries equilibra as horas do dia com as da noite – é o chamado equinócio. Aliás, este é o seu primeiro ato de justiça, para logo em seguida assistir o dia ganhar terreno sobre a noite. O Carneiro anuncia o fim do império da noite, o início do império do dia. Áries presta honras ao Sol soberano.

Carneiro, em latim, chama-se Áries. Para entender Áries é preciso se reportar ao inverno mítico. Pense em quatro meses de frio terrível, cortante, glacial, fatal. Pense no inverno que lasca a esperança em fatias finas enquanto espera o sol. Durante o inverno, as noites são maiores que o dia, mais escuro do que luminoso. Aí, de repente, a primavera vem. Primavera: carneiros de fogo direto do túmulo do inverno.

Escute o bater de pedras lascando o fogo. Ou o som cortante do martelo na bigorna. A revolução assovia no ar, ruidosa. Há alguém batendo na porta. Escute o rufar das faíscas. O marchar de um milhão de gigantes. O coração pulsando na ponta da faca. O acorde seco da guitarra. O impetuoso ataque da trombeta! Acorda, Alice, acorda! Áries desperta, provoca, chama.

Risca o fogo da faísca de ferro parido no músculo. Rumo ao impulso, arranca a cabeça de quem o atrapalha. Impaciente como uma abelha, raiva vermelha. A vida é uma arena e Áries, o tônus da batalha. Franco como um canino, ri, líder, afiando o ringue. Gira a ignição do mundo — por uma boa guerra.

A faísca, de repente, surge sem pedir licença. Assim são as revoluções, o fogo da lâmpada e a arrancada de Áries.

Carneiro do crânio e chifres duros. Para reconhecê-lo como teimoso, basta um confronto, uma topada. Crânio também no sentido de gênio, líder, portador de ideia original, a que aponta caminho, estrada, direção. O caminho que Áries aponta leva a lugar seguro ou à ruína, não há meio termo. Mas há sempre ímpeto e calor.

Sobre o Autor:

João estuda Astrologia desde o fim dos anos 90. Criador do site Saturnália - Astrologia & Cidade, agora também Escola de Astrologia Tradicional. Propõe uma astrologia enraizada nos fenômenos culturais e uma releitura crítica da astrologia antiga. Dedica-se preferencialmente à prática da Astrologia das Natividades. Nestes 25 anos de estudos, desenvolve o que chama de Dramaturgia Celeste, astrologia como linguagem, o céu como narrativa.

Um Comentário

  1. Awaju Poty 26/03/2018 em 19:18 - Responder

    Belo texto. Mitopoetica ígnea.

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