Sobre o signo do Caranguejo

Sobre o signo do Caranguejo

By | 2018-07-12T19:25:40+00:00 quinta-feira, 12 jul 2018|Signos|0 Comentários
Quando menos se espera, o Caranguejo é tomado pela saudade. É mais correto dizer que o Caranguejo é tomado, possuído, dragado pela nostalgia. E nostalgia é uma espécie de torpor. Saudade de algo que nem se sabe, mas entorpece, enlouquece, adormece. A vontade é de se jogar do penhasco de peito aberto. Mas o Caranguejo não se joga. Nestes momentos fica prostrado nas rochas esperando a embarcação que o levará além-mar. Espera a embarcação enquanto escuta o mar lhe chamar. A embarcação nunca chega. E assim como a nostalgia que, de repente, o tomou, o torpor se vai numa manhã qualquer. E aí o Caranguejo, como se nada tivesse acontecido, volta à sua cidade e retoma a vida de onde parou.

O Gil é do Grande Caranguejo dos Céus. No vídeo a seguir, fala da saudade e da origem, isto é, sobre a beira do mar.

O Caranguejo está entre o Leão e o Gêmeos. É um signo cardinal, abre o solstício do verão, a estação mítica das cheias dos rios.

O Caranguejo nasce em carne viva, rosada, lançado ao mundo para testar a própria sorte. O sentimento de orfandade, aliás, é lugar-comum quando pensamos no signo do Caranguejo. Orfandade e pertencimento, ao mesmo tempo.

A orfandade é outro clichê que abarrota a sua morada feita de água, luares e saudade. Mas é mais do que saudade, é nostalgia do paraíso um dia perdido. Portugal deve ser do signo do Caranguejo. Coloque a concha no ouvido? Escuta o fado ao fundo?

O Caranguejo nasce pelado, vermelho, vivo. E, assim sendo, é claro que qualquer brisa, sopro ou esbarro, fere quem está vivo em chamas como o Sol. Caranguejo é signo sob o signo da vulnerabilidade.

É por isso também que o ambiente para o Caranguejo ganha status de protetor ou, quando seco e quente, de total horror.

Câncer nasce em carne viva em ambiente úmido, lodoso e, com o andar da Lua, do tempo, forma carapaça protetora, essa espécie de escudo, casa, concha.

Após o Caranguejo formar sua casca protetora das invasões bárbaras e indesejadas, o interior começa a crescer, a crescer, a crescer igual ao bolo de chocolate colocado no forno pela sua vó. Cresce, a um ponto do Caranguejo se sentir sufocado pela armadura construída, obrigando que se desfaça dos limites construídos, fazendo com que jogue a casca no mangue, como se num trabalho de parto estivesse, para recomeçar tudo de novo, em carne viva, mais uma vez, a sua nova casa protetora.

Quando chega a hora de ganhar outro mundo, o Caranguejo abandona sua velha carcaça no mangue da memória: o que um dia se viveu servirá de alimento para si e aos seus.

 

O Caranguejo oscila entre o vermelho da carne viva e o branco da casca pálida.

As pinças do Caranguejo pinçam, estrangulam, estancam. E nada faz o Caranguejo desatar as pinças. Nem sob tortura desiste, larga ou abandona o que um dia pinçou com suas facas. Este também um dos motivos que o perdão e a misericórdia são tão necessários neste signo.

Recuar é da natureza canceriana, é um dos seus passos. Os demais passos da dança do Caranguejo são para o lado e para baixo. Ah! Há o ataque oblíquo também.

Caranguejo passa a vida toda voltando para casa.

Cancer, Caranguejo em latim, é signo que oferece morada à Lua, a que governa as águas do mundo. As águas da imaginação, as águas do psiquismo, as águas do corpo, as águas da memória. Caranguejos são filhos da Lua, dessa que dita o ritmo da maré, dessa que muda conforme a lua.

Sobre o Autor:

João, 44, estuda Astrologia desde 1992. Criador do site Saturnália - Astrologia & Cidade, agora também Escola de Astrologia. Propõe uma astrologia enraizada nos fenômenos culturais e uma releitura crítica da astrologia antiga. Dedica-se preferencialmente à prática da Astrologia das Natividades. Nestes 26 anos, desenvolve o que chama de Dramaturgia Celeste, astrologia como linguagem, o céu como narrativa.

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