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A Casa 4 e as dramaturgias em torno do pai e ancestrais





A Casa 4 é o Fundo do Céu (Imum Coeli), é um dos ângulos do mapa. E o que está abaixo dos nossos pés são os ancestrais.

Na cidade, representa todos os territórios abaixo da terra. Cemitérios, por exemplo. Assim como poços, porões, fundo-do-mar. Subterrâneos.

A Casa 4 trata de todos os ancestrais, mas principalmente, a linhagem paterna e o próprio pai. Quem tem o regente da 1 na 4, por exemplo, habita o território ancestral paterno. E também o destino de exercer função paterna no mundo. Ou, ainda, acesso aos mortos, aos antepassados, aos que sustentam o meio-céu. A experiência da mediunidade é encontrada em seu chão.


A Casa 4 recebe em casa, fantasmas.


Um bom exemplo do acesso à ancestralidade é o mapa de Chico Xavier, Sol e Saturno, significadores essenciais do Pai, no quarto signo a partir do Ascendente.


O pai como núcleo de obra literária, temos o exemplo da Hilda Hilst, o Sol como Regente da Casa 4. Hilda, a senhora da Casa do Sol. Aliás, é sabido o seu registro de vozes fantasmáticas no local.


Um exemplo de Pai Terrível como mote narrativo, é a natividade de Michael Jackson, Sol na quarta casa a partir do Ascendente, quadrado a Saturno.


A Casa 4 testemunha sobre o fim da vida, por isso, é um cenário ligado a legados.


Como será o fim do nativo/a e o que deixará de legado ao mundo, quem nos conta é a Casa 4.


A Casa 4 testemunha também sobre heranças materiais.


E se o que deixa no mundo quem nos conta é a Casa 4, é possível afirmar que também testemunha sobre o propósito do nativo/a. Casa 4 é o Meio-Céu Abaixo.


Na Dramaturgia Celeste a Casa 4, então, dirá sobre o fim do nativo/a. Fim no sentido de destino e/ou finalidade. É preciso buscar saber para qual direção o espírito encarnado caminha. O astrólogo tem a função de encaminhar a vida à sua destinação última porque primeira.

Casa 4: de onde se veio, para onde se voltará.

Mitos de retorno, como o de Ulisses ou de Luke Skywalker, são estruturas narrativas de Casa 4.

A Casa 4, como já foi dito, é cenário do Pai. Planetas na casa 4 testemunham sobre o pai do nativo. Planeta regente da casa 4, e também o planeta por exaltação, revelam com precisão a natureza do Pai e sua sorte. A Parte-do-Pai, Triplicidade, o Almutem da Casa 4, também precisam ser considerados. As direções destes pontos a outros pontos testemunham sobre a sorte do Pai, este vivo ou não.

Durante consultas, é comum falarmos em nome de ou a eles, os ancestrais, encenando ali um encontro com fim de dar voz ao emaranhado familiar.

A Casa 4 por ter um elo com o Pai, nos remete a histórias que levam o nativo a exercer função paterna. Outro dia, ao ler um mapa que o regente da 1 encontrava-se conjunto ao Sol na 4, dizia ao rapaz que era do seu Destino ser pai. O rapaz entrou em pranto – o seu filho acabara de nascer.

É muito importante a avaliação da Casa 4, isto é, do Pai e ancestrais. É preciso entender qual é a identificação do nativo com o destino dos seus ancestrais. É possível que o nativo trilhe cegamente o caminho do pai, por estar emaranhado ao destino de sua raiz.

É da função do astrólogo dramaturgo lançar luzes sobre a dramaturgia da Casa 4.

Por exemplo, se o nativo tem Saturno exilado regente da Casa 4, tem a experiência de um pai exilado, distante, impedido e incapaz de exercer a função paterna que, em tese, prepara o filho ou a filha a serem pais do mundo. Ao lançar luz sobre este personagem, os nós cegos desatam. E assim se afasta a cegueira, recupera-se a visão.

É importante lembrar que a Casa 4 também trata de imóveis, terrenos, tudo aquilo se se assenta no chão ou abaixo de. Construtores, engenheiros, agricultores, latifundiários, vocacionam a Casa 4.

Concluindo, a Casa 4 testemunha sobre o destino do Pai, mas também sobre o fim do nativo. Fim no sentido de legado a deixar no mundo, a resgatar do mundo, mas também sobre a forma da morte – quando o barro do corpo volta ao barro do mundo.

Narrativas que centram a jornada da consciência em torno da figura do Pai e seu legado pertencem à Casa 4 – A Raiz do Céu.

p.s.: Assim que terminei de escrever estes comentários, Marte cravava no Fundo do Céu.

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